Do Pará à Scientific American: como Kauê Costa chegou ao reconhecimento internacional na neurociência em 2026

Você já imaginou começar sua trajetória acadêmica em uma universidade pública brasileira e, alguns anos depois, ter seu trabalho reconhecido por uma das publicações científicas mais tradicionais do mundo?
Essa é parte da trajetória de Kauê Machado Costa, neurocientista brasileiro de 36 anos que foi selecionado para a primeira edição da lista Young American Scientists, da Scientific American.
A publicação selecionou 28 jovens cientistas para destacar pesquisadores em início de carreira que estão desenvolvendo trabalhos considerados relevantes para o futuro da ciência, da tecnologia e da medicina. Costa aparece entre os pesquisadores escolhidos por seu trabalho sobre como o cérebro aprende e como a dopamina participa desses processos.
Mas a trajetória que levou o pesquisador até esse reconhecimento começou muito antes dos laboratórios nos Estados Unidos.
Ele passa pelo Pará, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), pela Universidade de São Paulo (USP), pela Alemanha e pelo National Institute on Drug Abuse (NIDA), nos Estados Unidos.
E sua história traz uma lição interessante para quem hoje está estudando para o ENEM: uma carreira científica pode começar muito antes de você imaginar.
Quem é Kauê Machado Costa?
Kauê Machado Costa é um neurocientista brasileiro e atualmente atua como professor assistente no Departamento de Psicologia da University of Alabama at Birmingham (UAB), nos Estados Unidos.
Sua formação acadêmica inclui:
- graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará (UFPA);
- mestrado em Fisiologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP);
- doutorado em Neurociência pela Goethe University, em parceria com o Max Planck Institute for Brain Research, na Alemanha;
- estágio de pós-doutorado no National Institute on Drug Abuse (NIDA), ligado aos National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos.
Desde 2024, Costa atua como professor assistente na UAB.

De Belém para o mundo: a formação de um cientista
A trajetória acadêmica de Costa começou na Universidade Federal do Pará, onde cursou Ciências Biológicas entre 2006 e 2010. Depois, seguiu para a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, onde realizou seu mestrado entre 2010 e 2012.
Foi durante essa formação que seu interesse pela neurociência ganhou espaço.
No mestrado, Costa trabalhou com fisiologia e mecanismos relacionados ao funcionamento do sistema nervoso. Posteriormente, avançou para o doutorado em neurociência na Alemanha, em uma formação ligada ao Max Planck Institute for Brain Research e à Goethe University.
Depois do doutorado, passou pelo National Institute on Drug Abuse, nos Estados Unidos, onde realizou pesquisa de pós-doutorado entre 2018 e 2023.
Sua trajetória acadêmica pode ser resumida assim:
Linha do tempo da carreira de Kauê Costa
- 2006–2010: graduação em Ciências Biológicas — UFPA
- 2010–2012: mestrado em Fisiologia — USP
- 2012–2018: doutorado em Neurociência — Goethe University / Max Planck Institute for Brain Research
- 2018–2023: pesquisa de pós-doutorado — NIDA/NIH
- 2024: torna-se professor assistente na University of Alabama at Birmingham
- 2026: é selecionado para a primeira edição do Young American Scientists, da Scientific American.
Essa sequência revela uma característica importante da carreira científica: ela é construída em etapas.
Graduação, iniciação científica, pós-graduação, pesquisa internacional e produção científica podem fazer parte de um caminho que leva décadas para ser construído.
O que é o Young American Scientists, da Scientific American?
Em 2026, a Scientific American lançou a primeira edição do projeto Young American Scientists.
A iniciativa reúne pesquisadores em início de carreira escolhidos por seu potencial e pela relevância de seus trabalhos para áreas como ciência, tecnologia e medicina. A publicação apresenta os pesquisadores como cientistas que estão tentando responder a algumas das questões mais complexas do conhecimento contemporâneo.
Kauê M. Costa está entre os 28 pesquisadores selecionados.
A própria Scientific American publicou um perfil dedicado ao pesquisador com o título "Kauê M. Costa: Young American Scientist trying to decipher how we learn" — em tradução livre, "Kauê M. Costa: jovem cientista tentando decifrar como aprendemos".
O que Kauê Costa pesquisa sobre o cérebro?
É aqui que a história fica especialmente interessante.
Costa pesquisa como os animais aprendem e como o cérebro decide quais informações são importantes o suficiente para serem armazenadas.
Um dos focos de seu trabalho envolve a dopamina, um neurotransmissor que participa de diferentes processos cerebrais relacionados a comportamento e aprendizagem.
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Mas existe uma diferença importante entre a explicação popular sobre dopamina e a questão científica investigada por Costa.
Em vez de pensar simplesmente na dopamina como a "molécula do prazer", sua pesquisa procura entender de maneira mais profunda como os sistemas dopaminérgicos participam da aprendizagem e da tomada de decisões diante das informações que recebemos.
Segundo a Scientific American, os resultados de seu trabalho sugerem que a dopamina participa não apenas do aprendizado relacionado ao que é bom ou ruim, mas também de formas mais complexas de aprendizagem que permitem inferir o que pode acontecer a seguir com base em acontecimentos anteriores.

Dopamina e aprendizagem: por que isso é importante?
Imagine que você está estudando para uma prova.
Seu cérebro recebe uma quantidade enorme de informações: palavras, imagens, sons, conceitos, exemplos e estímulos externos.
Mas você não consegue armazenar tudo.
O cérebro precisa, de alguma maneira, selecionar o que merece atenção e o que deve ser aprendido.
É justamente esse tipo de problema que interessa à pesquisa de Costa.
A Scientific American descreve sua investigação como uma tentativa de compreender os princípios que determinam o que aprendemos e como aprendemos, diante de uma quantidade praticamente infinita de informações.
Em termos simples, a pergunta pode ser resumida assim:
Como o cérebro decide o que vale a pena aprender?
Essa é uma questão muito mais complexa do que simplesmente perguntar se a dopamina está relacionada ao prazer.
Uma descoberta que começou com resultados inesperados
Uma das características mais interessantes da pesquisa de Costa é justamente o fato de que os experimentos nem sempre produzem os resultados esperados.
Em entrevista ao podcast da Scientific American, o pesquisador contou que frequentemente formula uma previsão para um experimento e encontra justamente o resultado oposto — ou algo completamente inesperado.
Para um cientista, isso não necessariamente representa fracasso.
Pode representar uma oportunidade.
Quando um experimento produz um resultado inesperado, ele pode obrigar o pesquisador a rever uma hipótese, fazer novas perguntas e investigar um fenômeno que ainda não era completamente compreendido.
É justamente esse processo que faz parte da ciência.
Por que a pesquisa de Kauê Costa importa?
A importância desse tipo de pesquisa está justamente em tentar compreender os mecanismos básicos que fazem o cérebro aprender.
O trabalho de Costa pode contribuir para uma compreensão mais aprofundada de processos relacionados à aprendizagem e ao comportamento. Seus estudos também fazem parte de uma área maior de pesquisa sobre os sistemas cerebrais envolvidos em comportamento, tomada de decisão e aprendizagem.
Costa possui trabalhos publicados em periódicos científicos internacionais, incluindo pesquisas publicadas na Nature Neuroscience e na Current Biology.
Um de seus trabalhos publicados na Nature Neuroscience, por exemplo, investigou o papel do córtex orbitofrontal lateral na formação de mapas cognitivos.
Isso ajuda a entender que sua trajetória científica não se resume ao reconhecimento da Scientific American.
O reconhecimento é consequência de uma carreira de pesquisa que já vinha sendo construída há anos.
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O que a trajetória de Kauê Costa ensina para quem vai fazer o ENEM?
Agora chegamos à parte que interessa diretamente ao estudante.
O que a história de um neurocientista brasileiro que trabalha nos Estados Unidos tem a ver com alguém que está estudando para o ENEM?
Mais do que parece.
A trajetória de Costa mostra que a carreira científica pode começar em uma universidade pública brasileira e, posteriormente, envolver instituições de pesquisa internacionais.
Ele estudou na UFPA, fez mestrado na USP, realizou doutorado na Alemanha e desenvolveu pesquisa nos Estados Unidos.
Isso não significa que todos os estudantes seguirão o mesmo caminho.
Mas mostra que existem diferentes portas de entrada para uma carreira científica — e que uma graduação brasileira pode fazer parte de uma trajetória acadêmica internacional.

A USP como uma etapa da trajetória internacional
A passagem de Costa pela USP foi uma das etapas de sua formação acadêmica.
Ele realizou o mestrado em Fisiologia na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto entre 2010 e 2012. Depois, continuou sua formação em neurociência na Alemanha.
Esse percurso também mostra algo importante para quem está escolhendo uma graduação:
a universidade não precisa representar o ponto final da trajetória acadêmica.
Ela pode ser o lugar onde você desenvolve competências, encontra professores, participa de pesquisas e começa a construir uma rede acadêmica.
A partir daí, podem surgir oportunidades de pós-graduação, intercâmbio, colaboração internacional e pesquisa em outros países.
Como começar uma carreira científica?
Se a história de Kauê Costa despertou seu interesse pela ciência, existem alguns caminhos que podem fazer parte dessa trajetória.
1. Escolha uma graduação relacionada ao seu interesse
Não existe uma única graduação para quem quer ser cientista.
Biologia, Física, Química, Medicina, Engenharia, Computação, Psicologia e diversas outras áreas podem levar à pesquisa científica.
O mais importante é encontrar uma área na qual você realmente tenha interesse em investigar problemas.
2. Procure oportunidades de iniciação científica
A iniciação científica pode ser uma das primeiras oportunidades de contato direto com pesquisa durante a graduação.
Você passa a trabalhar com um professor ou grupo de pesquisa e aprende, na prática, como uma investigação científica é conduzida.
3. Encontre bons professores e orientadores
A relação com pesquisadores experientes pode fazer diferença na formação acadêmica.
Um bom orientador pode ajudar o estudante a desenvolver perguntas, métodos e projetos de pesquisa.
4. Considere a pós-graduação
Para quem deseja seguir carreira acadêmica, o caminho pode envolver:
graduação → mestrado → doutorado → pós-doutorado
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Mas esse percurso varia de acordo com a área e os objetivos profissionais.
5. Desenvolva inglês e outras habilidades
A ciência é cada vez mais internacional.
Ler artigos científicos em inglês, participar de congressos, escrever trabalhos e conversar com pesquisadores de outros países são habilidades importantes para quem deseja construir uma carreira internacional.
6. Aprenda a lidar com resultados inesperados
Talvez essa seja uma das maiores lições da trajetória de Costa.
Na ciência, um resultado inesperado não significa necessariamente que o experimento "deu errado".
Às vezes, ele é justamente o ponto de partida para uma pergunta melhor.
O reconhecimento da Scientific American pode inspirar novos cientistas
O próprio Costa afirmou que espera que o reconhecimento ajude a atrair mais jovens para carreiras científicas, especialmente na área de neurociência comportamental.
E essa talvez seja uma das partes mais interessantes dessa história.
Um estudante que hoje está sentado em uma sala de aula estudando Biologia para o ENEM pode, anos depois, estar em um laboratório tentando responder perguntas que ainda não têm resposta.
Não existe garantia de que isso acontecerá.
Mas existe um caminho.
E ele pode começar com uma pergunta simples:
"O que eu realmente quero descobrir?"
Resumo: de estudante brasileiro a jovem cientista reconhecido internacionalmente
A trajetória de Kauê Machado Costa é um exemplo de como uma carreira científica pode atravessar diferentes universidades, países e áreas de pesquisa.
Formado em Ciências Biológicas pela UFPA, ele realizou mestrado na USP, doutorado na Alemanha e pós-doutorado nos Estados Unidos. Desde 2024, atua como professor assistente na University of Alabama at Birmingham.
Em 2026, foi escolhido para a primeira edição da lista Young American Scientists, da Scientific American, que reúne 28 pesquisadores em início de carreira.
Sua pesquisa busca entender como o cérebro aprende e qual é o papel da dopamina nesses processos. A Scientific American destaca especialmente sua investigação sobre como o cérebro determina quais informações devem ser aprendidas e armazenadas.
Para quem está estudando para o ENEM, a história deixa uma mensagem importante:
a universidade pode ser o começo de uma trajetória muito maior do que o estudante consegue enxergar no momento em que presta o vestibular.
Perguntas frequentes sobre Kauê Costa
Quem é Kauê Machado Costa?
Kauê Machado Costa é um neurocientista brasileiro, formado em Ciências Biológicas pela UFPA, mestre pela USP e doutor em Neurociência pela Goethe University, na Alemanha. Atualmente é professor assistente de Psicologia na University of Alabama at Birmingham.
Por que Kauê Costa foi reconhecido pela Scientific American?
Ele foi selecionado para a primeira edição do Young American Scientists, iniciativa da Scientific American que destaca pesquisadores em início de carreira. Seu trabalho investiga como o cérebro aprende e como a dopamina participa desses processos.
O que Kauê Costa pesquisa?
Costa pesquisa os mecanismos envolvidos na aprendizagem, especialmente a forma como o cérebro utiliza informações para aprender e tomar decisões. Uma parte importante de sua pesquisa envolve o papel da dopamina nesses processos.
Onde Kauê Costa estudou?
Ele fez graduação na UFPA, mestrado na USP e doutorado em Neurociência na Goethe University, em associação com o Max Planck Institute for Brain Research. Também realizou pós-doutorado no NIDA/NIH.
Kauê Costa trabalha onde atualmente?
Ele é professor assistente no Departamento de Psicologia da University of Alabama at Birmingham, nos Estados Unidos.
A pesquisa de Kauê Costa pode ajudar a entender o aprendizado?
Sim. Seu trabalho busca compreender os mecanismos pelos quais o cérebro determina o que aprendemos e como aprendemos. A Scientific American destaca que seus resultados sugerem um papel da dopamina em formas complexas de aprendizagem.












