Como estudar Física e Química para o Enem: guia completo para quem tem dificuldade

Se você está se preparando para o Enem e sente que Física e Química são difíceis, saiba que isso é mais comum do que parece.
Muitos estudantes chegam ao Ensino Médio com lacunas na base e acabam associando as duas disciplinas a fórmulas, cálculos e conteúdos difíceis de memorizar.
Mas existe uma boa notícia: você não precisa saber tudo para evoluir em Ciências da Natureza.
O mais importante é entender como a prova funciona, identificar os conteúdos prioritários, construir uma base sólida e praticar com questões no estilo do Enem.
Neste guia, você vai encontrar um caminho prático para estudar Física e Química mesmo que esteja começando com dificuldade.
Você verá:
- os conteúdos de Física que mais aparecem nas análises recentes;
- os principais temas de Química para colocar no radar;
- um método de estudo em cinco etapas;
- um plano de estudos de quatro semanas;
- estratégias para resolver questões mesmo quando você não domina todo o conteúdo;
- formas de lidar com os momentos em que você trava;
- e respostas para as dúvidas mais comuns sobre a preparação.
Primeiro: você não precisa saber tudo
A prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias tem 45 questões no Enem. Essa área reúne conhecimentos de Biologia, Física e Química, mas não existe uma divisão oficial fixa de 15 questões para cada disciplina. A composição dos itens varia de uma edição para outra.
Por isso, não é uma boa estratégia estudar pensando que necessariamente aparecerão 15 questões de Física, 15 de Química e 15 de Biologia.
Também é importante entender que o Enem não funciona simplesmente como uma prova de memorização.
A própria Matriz de Referência do exame organiza competências e habilidades relacionadas, entre outros aspectos, à compreensão de fenômenos e à resolução de situações-problema.
Na prática, isso significa que você precisa desenvolver duas coisas ao mesmo tempo:
conhecimento do conteúdo + capacidade de interpretar a situação apresentada.
E é justamente por isso que estudar somente decorando fórmulas costuma ser pouco eficiente.
O que mais cai em Física no Enem?
Uma análise do Aprova Total com as provas regulares do Enem entre 2016 e 2025 identificou cinco temas de Física com maior incidência no período analisado: Eletrodinâmica, Termologia, Ondulatória, Cinemática e Óptica.
| TemaIncidência na análiseO que estudar | ||
| Eletrodinâmica | 21,1% | Corrente, tensão, resistência, potência, Leis de Ohm e circuitos |
| Termologia | 16% | Calor, temperatura, calorimetria, termodinâmica e dilatação |
| Ondulatória | 13,7% | Frequência, comprimento de onda, velocidade e fenômenos ondulatórios |
| Cinemática | 11,4% | Velocidade, aceleração, movimentos e gráficos |
| Óptica | 9,1% | Reflexão, refração, lentes e espelhos |
Importante: esses percentuais representam a análise de incidência dessa fonte. Eles não são uma previsão oficial do Inep sobre o que cairá no próximo Enem.
Os três primeiros temas — Eletrodinâmica, Termologia e Ondulatória — correspondem a aproximadamente 50,8% dos conteúdos de Física identificados nessa análise.
Isso pode ajudar a organizar a prioridade dos estudos, mas não significa que os demais assuntos devam ser ignorados.
Eletrodinâmica
Na análise citada, Eletrodinâmica aparece como o tema de maior incidência entre os conteúdos de Física.
Priorize:
- corrente elétrica;
- tensão elétrica;
- resistência;
- potência elétrica;
- Leis de Ohm;
- associação de resistores;
- circuitos elétricos.
O grande diferencial é aprender a reconhecer esses conceitos em situações contextualizadas.
Contas de energia elétrica, aparelhos domésticos, chuveiros, lâmpadas e circuitos são exemplos de situações que podem servir de contexto para questões.
Como estudar
Não comece tentando decorar todas as fórmulas.
Primeiro entenda:
o que cada grandeza representa, qual é sua unidade e como elas se relacionam.
Depois, passe para questões.
Termologia
Entre os principais conceitos estão:
- temperatura;
- calor;
- calorimetria;
- mudanças de estado;
- dilatação térmica;
- termodinâmica;
- escalas termométricas.
Procure relacionar os conceitos a situações conhecidas:
- derretimento do gelo;
- funcionamento de termômetros;
- isolamento térmico;
- dilatação de materiais;
- transferência de calor.
Quanto mais concreto for o exemplo, mais fácil tende a ser compreender o conceito abstrato.
Ondulatória
Ondulatória aparece em situações relacionadas a som, luz e outros fenômenos ondulatórios.
Estude:
- frequência;
- período;
- comprimento de onda;
- velocidade de propagação;
- ondas sonoras;
- ondas eletromagnéticas;
- interpretação de gráficos.
Uma habilidade especialmente importante é ler o gráfico antes de procurar uma fórmula.
Pergunte:
O que está representado em cada eixo?
Qual grandeza está variando?
O que o comportamento do gráfico significa fisicamente?
Cinemática
A Cinemática é uma das bases da Mecânica.
Priorize:
- posição;
- deslocamento;
- velocidade;
- aceleração;
- movimento uniforme;
- movimento uniformemente variado;
- gráficos.
Aqui, vale uma atenção especial aos gráficos.
Um estudante pode saber aplicar uma fórmula e ainda assim errar uma questão porque interpretou incorretamente o gráfico.
Óptica
Entre os principais conteúdos estão:
- reflexão;
- refração;
- lentes;
- espelhos;
- formação de imagens;
- fenômenos ópticos.

Também vale relacionar os conceitos ao cotidiano: óculos, espelhos, câmeras, fibras ópticas, visão e instrumentos ópticos.
O que mais cai em Química no Enem?
A Química também apresenta uma variedade grande de conteúdos.
Segundo a análise do Aprova Total baseada nas questões do Enem desde 2016, os temas que aparecem com maior frequência incluem moléculas e propriedades, estequiometria, propriedades dos compostos orgânicos, separação de misturas, funções inorgânicas e eletroquímica.
Entre os primeiros colocados da análise:
| Moléculas e propriedades | 8,6% |
| Estequiometria | 7,9% |
| Propriedades dos compostos orgânicos | 6,6% |
| Separação de misturas | 6,6% |
| Funções inorgânicas | 6,6% |
| Eletroquímica | 6,6% |
Mais uma vez, esses números devem ser utilizados para orientar a prioridade dos estudos, e não como uma promessa sobre a próxima prova.
Moléculas e propriedades
Entre os conteúdos importantes estão:
- estados físicos da matéria;
- ligações químicas;
- polaridade;
- forças intermoleculares;
- propriedades das substâncias.
A melhor estratégia é evitar a simples memorização.
Tente compreender:
por que determinada substância apresenta determinada propriedade?
Essa pergunta ajuda a transformar uma lista de informações em um sistema de conceitos relacionados.
Estequiometria
Estequiometria costuma assustar quem tem dificuldade com cálculos.
Mas existe uma forma mais simples de começar.
Pense primeiro em relações de quantidade.
Estude:
- mol;
- massa molar;
- proporções;
- relações estequiométricas;
- rendimento;
- pureza.
Comece com problemas simples e aumente gradualmente a complexidade.
Propriedades dos compostos orgânicos
Aqui, vale estudar:
- estruturas de compostos orgânicos;
- propriedades;
- funções orgânicas;
- relações entre estrutura e comportamento das substâncias.
O objetivo não deve ser apenas memorizar nomes.
Aprenda a reconhecer estruturas e relacioná-las às propriedades e funções correspondentes.
Separação de misturas
É um tema que merece atenção.
Revise:
- filtração;
- decantação;
- destilação;
- centrifugação;
- separação magnética;
- outros métodos de separação.
O mais importante é entender qual propriedade física permite utilizar determinado método.
Eletroquímica
Estude:
- oxidação;
- redução;
- agentes oxidantes e redutores;
- pilhas;
- baterias;
- corrosão.

Questões desse tema frequentemente apresentam uma situação contextualizada.
Por isso, não se limite a decorar regras: procure entender o que está acontecendo no sistema.
Como estudar Física e Química quando você tem dificuldade?
Agora vem a parte mais importante.
Saber o que estudar é apenas metade do problema.
Você também precisa saber como estudar.
Um método simples é trabalhar em cinco etapas:
entender → observar → praticar → corrigir → revisar.
1. Entenda o conceito antes de decorar
Comece pela teoria.
Você pode utilizar:
- uma aula;
- um livro didático;
- um material de revisão;
- uma explicação de professor;
- uma videoaula.
Mas não fique apenas consumindo conteúdo.
Faça perguntas:
O que esse conceito significa?
Por que isso acontece?
Onde esse fenômeno aparece no cotidiano?
Como eu reconheceria esse conceito em uma questão?
Se você não consegue explicar o conceito com suas próprias palavras, provavelmente ainda precisa trabalhar a compreensão.
2. Observe uma questão resolvida
Antes de partir para uma lista enorme de exercícios, veja alguns exemplos resolvidos.
Observe principalmente o raciocínio:
- Como o problema foi interpretado?
- Quais informações foram importantes?
- Qual conceito foi identificado?
- Por que determinada fórmula foi utilizada?
- Como a resposta foi conferida?
O objetivo não é decorar o procedimento.
É aprender a reconhecer o caminho para resolver problemas semelhantes.
3. Comece pelas questões mais acessíveis
Depois de estudar o conteúdo, resolva questões.
Comece com exercícios que permitam verificar se você realmente entendeu o conceito.
Nesse momento, não transforme o estudo em uma corrida contra o relógio.
Primeiro busque precisão.
Depois, desenvolva velocidade.
E dê preferência às questões oficiais do Enem quando quiser conhecer o estilo da prova. O Inep mantém uma página com provas e gabaritos de diversas edições do exame.
4. Aumente gradualmente a dificuldade
Quando você estiver confortável com os exercícios básicos, avance.
Uma boa progressão é:
conceito → exercício básico → questão contextualizada → questão mais complexa → questão oficial do Enem.
E não se limite a contar acertos.
Registre seus erros.
Por exemplo:
| Conceito | Não sabia o conteúdo |
| Interpretação | Entendi errado o enunciado |
| Cálculo | Cometi um erro matemático |
| Estratégia | Escolhi um caminho inadequado |
| Distração | Sabia resolver, mas errei por atenção |
Esse registro transforma o erro em informação para o próximo estudo.
5. Revise resolvendo questões
Revisar não significa simplesmente reler o resumo.
Uma revisão mais ativa pode funcionar assim:
1. Tente lembrar o conceito sem consultar o material.
2. Resolva algumas questões.
3. Confira os erros.
4. Volte apenas ao conteúdo que apresentou dificuldade.
5. Resolva novamente uma questão semelhante.
Esse processo é muito mais útil do que simplesmente passar os olhos pelas anotações.
Plano de estudos de 4 semanas

Se você tem pouco tempo, pode começar com uma rotina de 1 a 2 horas por dia, ajustando a carga à sua realidade.
O objetivo do plano abaixo não é estudar todos os conteúdos do Enem em quatro semanas.
É criar uma primeira sequência de estudo organizada.
| Segunda | Eletrodinâmica | Moléculas e propriedades |
| Terça | Termologia | Estequiometria |
| Quarta | Ondulatória | Eletroquímica |
| Quinta | Cinemática | Química Orgânica |
| Sexta | Revisão de Física | Revisão de Química |
| Sábado | Questões oficiais de Física | Questões oficiais de Química |
| Domingo | Descanso | Descanso |
Semanas 1 e 2
Priorize:
- compreensão dos conceitos;
- exemplos resolvidos;
- exercícios básicos;
- identificação das principais dificuldades.
Semanas 3 e 4
Passe a aumentar a proporção de:
- questões contextualizadas;
- questões oficiais do Enem;
- revisão dos erros;
- exercícios com controle de tempo.
Se um assunto estiver muito difícil, não tenha medo de diminuir o ritmo e voltar à base.
Avançar não significa necessariamente estudar mais conteúdo. Às vezes, significa compreender melhor o conteúdo que você já começou a estudar.
Como resolver uma questão quando você não sabe tudo?
Essa é uma habilidade importante para o Enem.
Você pode encontrar uma questão cujo conteúdo não domina completamente.
Antes de desistir, faça o seguinte.
1. Leia o comando primeiro
Descubra exatamente o que a questão está pedindo.
2. Identifique as informações relevantes
Nem tudo que aparece no enunciado necessariamente precisa ser utilizado.
3. Observe gráficos, tabelas e esquemas
Eles podem conter informações fundamentais para a resolução.
4. Relacione o problema ao conteúdo que você conhece
Mesmo que você não saiba tudo, talvez reconheça parte do fenômeno.
5. Elimine alternativas incompatíveis
Se algumas opções contradizem claramente as informações do enunciado, eliminá-las pode ajudar.
6. Não fique preso indefinidamente
Se você não consegue avançar depois de uma tentativa razoável, marque a questão para voltar posteriormente.
Não existe vantagem em gastar vários minutos em uma única questão enquanto outras ainda aguardam sua atenção.
E quando você trava?
Travar durante os estudos não significa que você não é bom em Exatas.
Às vezes, o problema é a forma como o conteúdo foi apresentado.
Experimente mudar a abordagem.
Se você estava lendo:
Tente uma aula ou explicação em vídeo.
Se estava assistindo a uma aula:
Pegue papel e tente resolver um exercício sozinho.
Se não consegue resolver:
Veja apenas o primeiro passo da resolução e tente continuar.
Se está cansado:
Faça uma pausa.
Se continua sem entender:
Peça ajuda a um professor.
E existe uma estratégia especialmente útil:
Explique o conteúdo com suas próprias palavras
Imagine que você precisa ensinar o assunto para outra pessoa.
Se conseguir explicar:
“Isso acontece porque...”
sem simplesmente repetir o texto do livro, provavelmente está construindo uma compreensão mais sólida.
Um cuidado importante: não transforme o estudo em uma corrida

É comum encontrar recomendações dizendo que o estudante precisa estudar determinada quantidade de horas por dia.
Mas não existe uma quantidade universal de horas que garanta bom desempenho.
Uma rotina de uma hora bem aproveitada pode ser mais produtiva do que várias horas de estudo passivo.
O mais importante é construir uma rotina que você consiga manter.
Consistência > intensidade ocasional.
Perguntas frequentes sobre Física e Química no Enem
Preciso decorar todas as fórmulas?
Não.
Você precisa conhecer as relações matemáticas importantes, mas compreender o significado das grandezas e saber identificar quando utilizar cada relação é fundamental.
Além disso, o Enem avalia competências e habilidades dentro de situações-problema, e não apenas a memorização isolada de fórmulas.
Qual matéria devo estudar primeiro: Física ou Química?
Não existe uma ordem universal.
Se você tem mais dificuldade em uma delas, pode começar justamente por essa disciplina para identificar suas principais lacunas.
Dentro de cada matéria, entretanto, vale construir uma sequência lógica de conteúdos.
Quanto tempo por dia preciso estudar?
Depende da sua rotina, da sua base e de quanto tempo falta para a prova.
Como ponto de partida, 1 a 2 horas bem estruturadas podem ser suficientes para criar uma rotina de estudos, desde que você também mantenha consistência e distribua seu tempo entre as outras áreas do Enem.
Devo estudar apenas os assuntos que mais caem?
Não.
Os dados de incidência ajudam a estabelecer prioridades, mas não permitem prever a próxima prova.
Use-os para organizar o estudo, sem abandonar completamente os demais conteúdos previstos na matriz do exame.
É melhor fazer exercícios ou assistir a aulas?
Os dois têm funções diferentes.
A aula pode ajudar na construção da compreensão.
Os exercícios mostram se você consegue utilizar aquilo que aprendeu.
Uma sequência eficiente é:
teoria → exemplo → exercício → correção → revisão.
Preciso fazer questões antigas do Enem?
Sim, elas são uma das melhores maneiras de conhecer a linguagem e o formato da prova.
O próprio Inep disponibiliza provas e gabaritos de diversas edições anteriores.
Posso simplesmente chutar uma letra quando não souber?
Se você chegar ao final da prova e precisar marcar uma alternativa, não deixe a questão em branco.
Mas não existe uma letra “mais segura” para chutar.
Quando houver alguma possibilidade de raciocínio, prefira eliminar alternativas incompatíveis e utilizar as informações do enunciado.
Também é importante lembrar que a nota do Enem utiliza a TRI; portanto, não é correto tratar a pontuação como uma simples conversão do número bruto de acertos.
Como saber se estou evoluindo?
Não olhe apenas para a quantidade total de acertos.
Acompanhe:
- quais conteúdos você domina;
- quais erros se repetem;
- quanto tempo leva para resolver;
- quais tipos de questão ainda causam dificuldade;
- seu desempenho em provas anteriores.
O objetivo é transformar os erros recorrentes em conteúdos dominados.
Conclusão: Física e Química ficam mais fáceis quando você tem um método
Se hoje você olha para Física e Química e pensa que não consegue aprender, não transforme essa sensação em uma sentença sobre sua capacidade.
Dificuldade não significa incapacidade.
Muitas vezes, significa que existe uma lacuna na base ou que o método de estudo não está funcionando para você.
Comece pequeno.
Escolha um conteúdo.
Entenda o conceito.
Resolva uma questão.
Descubra o erro.
Tente novamente.
Depois avance.
No Enem, você não precisa dominar absolutamente tudo para construir uma boa preparação. Mas precisa conhecer a prova, construir uma base consistente e aprender a resolver problemas.
E isso é desenvolvido com prática.
Física e Química não precisam continuar sendo um “bicho de sete cabeças”. Com estratégia, acompanhamento e constância, você pode transformar essas disciplinas de uma fonte de insegurança em uma parte importante da sua preparação para o Enem.
Comece hoje por uma questão.
Depois, resolva outra.
É assim que uma preparação consistente começa.












